Rodrigo Amado

04 DEZEMBRO'21

Rodrigo Amado Refraction Solo

De regresso aos palcos após um longo período de confinamento, Rodrigo Amado apresenta o resultado de uma longa reflexão musical dedicada à pesquisa e exploração de materiais clássicos que considera constituírem as bases do seu percurso como músico, as suas raízes. De Ornette Coleman a Sonny Rollins, Don Cherry, Sam Rivers ou Thelonious Monk, Amado procurou depurar elementos estruturantes de temas destes mestres, operando uma refração da energia musical neles contida para chegar depois a uma música, improvisada, do momento, que contém simultaneamente elementos dessa tradição musical e do seu adn como músico. Uma perspetiva profundamente pessoal da improvisação em que procura recuperar e integrar de forma orgânica elementos estruturantes do seu discurso que surgem agora com novos significados. Em palco, a solo, entrega-se a essa energia.

 

(refração: mudança de direção/velocidade de uma onda ou energia ao passar de um meio para outro)

 

Nomeado, pelo sétimo ano consecutivo, pela prestigiada El Intruso International Critics Poll como um dos cinco melhores saxofonistas tenor em actividade, ao lado de Evan Parker, Joe Lovano, Ken Vandermark, Jon Irabagon, Ivo Perelman, James Brandon Lewis, Chris Potter ou Ingrid Laubrock, Rodrigo Amado editou em 2018 "A History of Nothing" (Trost), o segundo álbum do quarteto que mantém com três das mais importantes figuras do jazz livre actual - Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano. Já em 2019, editou dois novos álbuns – “No Place To Fall”, em duo com Chris Corsano, e “Summer Bummer”, em trio com Gonçalo Almeida e Onno Govaert – e realizou uma extensa tournée Europeia com o seu quarteto americano. O ano de 2021 anuncia-se intenso, com a edição de quatro novos álbuns e a realização de diversas tours. Com o seu quarteto americano, à frente dos Motion Trio, com Miguel Mira e Gabriel Ferrandini, ou integrado nos Humanization Quartet, Amado realizou nos últimos anos inúmeras tournées na Europa e nos Estados Unidos, tendo passado por salas de referência como o Snug Harbor em New Orleans, Hideout em Chicago, The Stone em Nova Iorque, Bimhuis em Amsterdão, DOM em Moscovo, Jazz House em Copenhaga, Cafe Oto em Londres, Pardon To Tu em Varsóvia, De Singer em Antuérpia, Manufaktur em Estugarda ou a State Philharmony Hall em Oradea, vendo o seu trabalho aclamado em publicações internacionais de referência como a revista The Wire, ou os jornais El País e Folha de São Paulo. Com uma série de novas tours previstas para 2021 e 2022, Amado afirma-se, cada vez mais, como um dos mais destacados improvisadores Europeus. Como refere o crítico e escritor norte-americano Stuart Broomer nas liner notes que escreveu para "This Is Our Language" – "Amado is an emerging master of a great tradition, more apparent with each new recording or performance."

 

Foto: Vera Marmelo